Edição 7

Conhecimento, uma das riquezas de Minas Gerais, é a base da Nova Economia

Conhecimento, uma das riquezas de Minas Gerais, é a base da Nova Economia

Estado tem uma rede sólida de universidades e vem se destacando em inovação no Brasil.

Ela está na boca dos jovens, nas capas das revistas de tecnologia e está causando um rebuliço entre empresários de diferentes setores. Chamada “Nova Economia”, esse jeito inovador de pensar e fazer negócios é, na verdade, muito mais do que um novo formato para a indústria. Ela se apresenta, cada vez mais, como uma cultura e um modelo mental que vai mudar também as políticas públicas, a educação e as relações sociais. Para discutir os rumos desse movimento, o jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO, em parceria com a ArcelorMittal, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e o Banco Mercantil do Brasil, realizou, no dia 10, a sétima edição do Diálogos DC, que reuniu especialistas e representantes do segmento em um debate com reflexões inspiradoras.

 

Foto: Fernanda Mendes/Michelle Mulls/Sílvia Junqueira
Foto: Fernanda Mendes/Michelle Mulls/Sílvia Junqueira

 

Nesta edição, o Diálogos DC aconteceu no Centro de Feiras e Exposições George Norman Kutova (Expominas), na região Oeste da Capital, dentro da programação da Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (Finit), um dos maiores eventos de inovação já realizados no Estado. A iniciativa do DIÁRIO DO COMÉRCIO propõe uma série de debates norteados pelo documento “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, editado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000. O último encontro foi inspirado no objetivo 9: “Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação”.

 

Participaram do debate o gestor do programa Fiemg Lab Novos Negócios, Fábio Veras, o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Marco Antônio Castello Branco e o cofundador do FA.Vela, João Souza. A mediação ficou por conta do professor-associado na Fundação Dom Cabral (FDC) e sócio da nhk Sustentabilidade, Rafael Tello. Também participaram o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, Miguel Corrêa e o embaixador da Bélgica, Dirk Loncke.

 

O secretário abriu o debate explicando como o governo do Estado tem se posicionado diante da Nova Economia. De acordo com ele, o conhecimento é uma das riquezas de Minas Gerais e está diretamente ligado a essa nova forma de encarar o desenvolvimento econômico. Ele lembrou que o Estado tem uma rede sólida de universidades e vem se destacando em inovação no Brasil. Por causa disso, a secretaria vem desenvolvendo uma série de ações para valorizar essa riqueza. O Estado caminha para se transformar em uma verdadeira aceleradora pública com quatro projetos de fomento a startups voltados para estudantes do ensino médio e das universidades e também para as empresas em estágio inicial.

 

“Quando assumimos a secretaria, a primeira iniciativa para valorizar essa riqueza foi reconhecer a legitimidade das ações já existentes. A Finit desnuda essa estratégia, pois mostra claramente aos mineiros e brasileiros o que estamos fazendo aqui. Outra ação foi sair pelo mundo conhecendo os modelos de excelência no fomento em inovação para criarmos o nosso próprio. Estamos em um momento de crise econômica e desemprego e nossa resposta para isso é apostar na inovação”, disse.

 

Ainda na abertura do debate, o diretor-presidente do DIÁRIO DO COMÉRCIO, Luiz Carlos Motta Costa, destacou o papel do jornal nesse cenário. “Nós acreditamos que nosso papel é muito mais que registrar fatos e multiplicá-los. Por isso realizamos o Prêmio José Costa, que olha para trás e identifica as contribuições para construção do nosso Estado, mas também o Minas 2032 e o Diálogos DC, que são olhares para o futuro e que aplicam o conhecimento para o planejamento”, disse.ODS - ONU

 

Indústria – Logo no início da discussão, o professor da FDC e mediador do debate, Rafael Tello, lembrou que, apesar de ser chamada de “nova”, essa economia baseada em inovação e tecnologia já vem sendo discutida há algum tempo, principalmente em países mais desenvolvidos. Diante disso, o professor propôs que os convidados discutissem se Minas Gerais, que tem uma economia baseada em extrativismo de recursos naturais, está preparada para essa Nova Economia.

 

Para o gestor do Fiemg Lab Novos Negócios, Fábio Veras, a indústria “não faz ideia do que está acontecendo”. Ele cita os exemplos clássicos da Kodak e da rede de hotéis Hilton, que não perceberam as mudanças do mercado e por isso viram seus empreendimentos ruírem. “A indústria foca em produto enquanto devia focar em modelo de negócio. Por que a Kodak quebrou? Porque ela não percebeu que o seu valor não era revelação de fotos, mas registro de momentos. O Instagram, por sua vez, entendeu isso muito bem”, disse.

 

Veras destacou que startup não pode ser entendida como uma “espécie de empresa”, mas um modelo mental baseado na ideia de buscar o melhor conhecimento da maneira mais barata e onde ele estiver. E é essa cultura que as grandes empresas precisam incorporar, na opinião do gestor. Ele destaca que muitas organizações poderão se esconder por detrás de departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas para Veras é preciso muito mais do que isso para participar, de fato, do movimento da “Nova Economia”.

 

“O melhor pesquisador de uma multinacional privada acorda pensando em quê? Vão dizer que é desenvolver uma boa inovação, mas eu acho que é proteger o emprego dele. Ele vai fazer o que o chefe mandar e vai ficar preso a um comando. Mas se a empresa busca uma plataforma de open inovation ela vai se deparar com soluções de diversos países e referências que nunca imaginou”, disse.

 

Rafael Tello concordou com Veras, lembrando que um desafio da implementação da cultura de startup na indústria é o entendimento que não existem “mundos distintos”. Para ele, há um perigo quando se fala de forma segmentada de nova e velha economia. Ao mesmo tempo que as empresas tradicionais precisam inovar, o professor lembra que as startups não podem cair no erro de tentar reinventar a roda como se não tivessem nada para aprender com a indústria tradicional.

 

“A Nova Economia passa por esse processo de entusiasmo da startup que tem aquela ideia de que vai fazer tudo diferente. Mas eu percebo que ela já está passando para um movimento maduro. Estamos vendo aceleradoras corporativas, que são grandes indústrias tirando o foco de seu P&D e buscando soluções com startups. A questão é que a empresa tradicional tem que ter a visão da startup. Mas, por outro lado, se a startup não tiver disciplina, gestão, organização do nível de uma empresa tradicional ela vai ser engolida por outra que tem essa capacidade”, ponderou.

Thaíne Belissa